segunda-feira, outubro 10, 2005

VIAGEM



Aparelhei o barco da ilusão
E reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar…
(Só nos é concedida
Esta vida
Que temos:
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso
Que perdemos).



Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura…
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura.
O que importa é partir, não é chegar.


...
...

Miguel Torga

Photo John

4 comentários:

marujo disse...

esse poeta n unca deve ter navegado, de facto. chegar é tão importante como partir. são sempre momentos de alegria, de expectativa, momentos que marcam a viagem. chegar e partir. o resto, a viagem própriamente dita, é contemplação, gozo, dádiva, uma entrega total... nem sei como definir.

Zica Cabral disse...

estou plenamente de acordo com o "Marujo", chegar e partir (ou vice versa) são igualmente importantes. Há uma excitação ao partir para a descoberta de novos horizontes, sejam eles no interior de nós proprios, sejam no mundo exterior fisico e pálpavel. Mas depois há a chegada. Em que se sedimentam as memorias da viagem, se deita fora o que não presta já mas foi util outrora e se fica com o resto, a aprendizagem, as arecordações, o alargar de horizontes.
Zica Caldeira Cabral

Luis Villas disse...

Na realidade estou de acordo com ambos.
É um poeta que simplesmente sonha com o mar!
Obrigado pelos Vossos comentários, sempre bem vindos.

Roberto Iza Valdes disse...
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